Mercado Automóvel Português Apresenta Sinais de Estabilidade em 2026

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O mercado automóvel português inicia o ano de 2026 com sinais de estabilização, embora persistam desequilíbrios estruturais que pressionam os valores residuais, particularmente nos veículos elétricos. As conclusões foram apresentadas durante o Indicata Executive Breakfast, realizado no Beato Innovation District, em Lisboa, onde especialistas analisaram os fatores macroeconómicos e regulatórios que moldam o setor.

No plano económico, Portugal projeta um crescimento de 1,8% para 2026, valor que supera os 0,9% estimados para a zona euro. Contudo, a estabilidade é acompanhada por um ambiente externo exigente, caracterizado por uma inflação persistente e taxas de juro no crédito ao consumo que atingiram os 9,01% em fevereiro de 2026. Estes fatores influenciam diretamente a capacidade financeira dos consumidores e a procura mensal.

Divergência entre Novos e Usados Os dados do Observatório INDICATA revelam um desfasamento significativo entre os veículos novos e o mercado de usados. Enquanto os veículos elétricos a bateria (BEV) já representam 23,6% das vendas de carros novos, a sua expressão no mercado de usados é de apenas 5,2%. Em sentido inverso, as motorizações Diesel mantêm o domínio nos usados com uma quota de 48,5%, apesar de representarem apenas 7,9% do mercado de veículos novos.

Esta diferença de ritmo na transição energética gera uma pressão acrescida sobre a valorização futura dos ativos. Atualmente, a paridade de preço entre elétricos e veículos a combustão ainda não foi atingida. Num exemplo para o segmento B, os BEV mantêm um diferencial de preço superior em 8,5% face aos equivalentes térmicos, num cenário onde a oferta cresce mais rapidamente do que a procura.

Impacto da Fiscalidade e Dados A fiscalidade e os incentivos públicos têm sido motores da adoção de elétricos nos novos, mas os especialistas alertam que esta aceleração pode dificultar o processo de remarketing e a gestão de risco a longo prazo. Factores como a política pública, a tecnologia e a entrada de novos concorrentes internacionais são agora determinantes para definir os valores residuais.

Neste contexto de incerteza, a utilização de ferramentas de análise de dados em tempo real torna-se fundamental. Segundo as conclusões da sessão, a capacidade de transformar dados em ações concretas é "uma condição essencial para proteger margem, rotação e posicionamento" num mercado cada vez mais competitivo.

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