Instabilidade Geopolítica Altera Comportamento de Compra no Setor dos Usados
O mercado europeu de veículos usados apresenta uma maior estabilidade nos preços, mas regista uma dependência crescente de fatores macroeconómicos e geopolíticos externos. De acordo com os dados de maio de 2026 do Observatório Indicata, a instabilidade no Médio Oriente e o consequente aumento dos custos dos combustíveis tradicionais alteraram o comportamento de compra dos consumidores no curto prazo. Este cenário energético conferiu um novo impulso aos veículos elétricos a bateria (BEV) no mercado de segunda mão.
Pela primeira vez nos últimos meses, os veículos elétricos deixaram de ser os ativos com menor rotação nos parques de retalho. O indicador Market Days Supply (MDS) desta motorização melhorou significativamente, assumindo-se atualmente como o mais baixo entre os principais tipos de combustível na Europa. A alteração reflete uma resposta financeira direta das famílias, que procuram custos de utilização mais previsíveis face à volatilidade da gasolina e do gasóleo.
"Estes números têm de ser lidos com prudência", afirmou o especialista de mercado do Indicata, Yoann Taitz. "Sabemos que a procura por BEV usados é sensível ao preço do combustível e ao ritmo dos descontos no novo, mas a inversão no Market Days Supply é demasiado clara para ser ignorada. Mostra que o comprador europeu já não vê o elétrico usado como uma aposta arriscada quando a aritmética do depósito muda", declarou o responsável.
A nível ibérico e europeu, o comportamento dos valores residuais apresenta trajetórias distintas consoante as tecnologias. Os híbridos convencionais (HEV) consolidaram-se como a proposta mais equilibrada, combinando a facilidade de utilização dos motores de combustão com uma maior proteção face à subida da energia. Em sentido inverso, os modelos híbridos plug-in (PHEV) enfrentam maior pressão competitiva, sendo desafiados pela conveniência dos motores tradicionais e pela economia dos elétricos puros.
O impacto das novas marcas chinesas também se faz notar de forma desigual no continente. O relatório indica que os fabricantes oriundos da China já redefinem os referenciais e os limiares de preços aceitáveis em países como o Reino Unido, Espanha, Itália, Dinamarca, Polónia e Noruega, pressionando diretamente os construtores históricos.
No contexto nacional, o índice de preços de retalho em Portugal fixou-se 1,4 pontos percentuais acima dos valores registados em janeiro de 2020, posicionando o país ligeiramente acima da média europeia (que se fixou em 0,1 pontos percentuais, excluindo a Turquia). No mercado português, o Peugeot 2008 lidera as vendas em volume no segmento de modelos até quatro anos, com um MDS de 62,0 dias. Por outro lado, os modelos chineses MG 4 e BYD Atto 3 destacam-se como os automóveis de rotação mais rápida nos parques nacionais, com médias respetivas de 29,3 e 31,3 dias em stock.
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