ANECRA Revista 396 Review: Da intuição ao algoritmo, a nova inteligência

Image

Avançamos para as páginas 20 e 21 da ANECRA Revista 396. O artigo de Marcos Dias, do Gabinete Económico-Estatístico da associação, resume uma mudança profunda no retalho de usados: o fim da era do "feeling". Durante décadas, o negócio viveu da intuição do comerciante que sabia o momento exato de comprar e vender. Hoje, com a instabilidade fiscal e as constantes mudanças de regras na União Europeia, guiar um negócio apenas pelo instinto é um risco financeiro elevado.

O mercado agora é governado por dados. Os stands competitivos utilizam sistemas que cruzam milhares de anúncios ao mesmo tempo. Sabem a rotação média de um modelo, o que a procura regional procura e o preço exato da concorrência direta. Isto permite fazer simulações rápidas: se o preço baixar mil euros ou se o financiamento mudar, o sistema mostra logo o impacto na margem. Até o abastecimento de carros mudou, porque os grandes fornecedores tradicionais — como as frotas e as rent-a-car — também estão a transformar os seus modelos de negócio.

Há outro fator crítico: o cliente agora faz quase tudo no telemóvel antes de pôr os pés no stand. Ele já sabe o preço médio, o equipamento de série e o histórico do carro. O vendedor tradicional, que só mostrava o veículo, acabou. Agora tem de ser um gestor de informação e de risco. O algoritmo ajuda a prever a desvalorização do stock, mas há coisas que a máquina não faz. Marcos Dias deixa um aviso claro no fecho do artigo: o software mede tendências, mas não substitui a reputação da empresa, a palavra dada e a confiança humana. No fim do dia, o negócio automóvel continua a ser feito entre pessoas.

#ANECRARevista #ANECRA #AutomoveisUsados #RetalhoAutomovel #InteligenciaArtificial #Algoritmos #GestaoDeStock #VendasAutomovel