ANECRA Revista 396 Review: De patinho feio a pilar estratégico

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Continuamos a folhear a ANECRA Revista 396, agora nas páginas 16 e 17, onde Roberto Gaspar assina uma radiografia ao mercado de usados (análise visível nos documentos anexos da edição). A conclusão é clara: o setor dos usados deixou de ser o parente pobre do negócio automóvel para se tornar no verdadeiro motor financeiro dos concessionários, deixando os carros novos para trás em termos de margem de lucro.

A grande reviravolta começou com a internet. O mercado opaco e local desapareceu; hoje, um stand em Leiria vende para Faro através de uma montra digital permanente. Os clientes ganharam poder de comparação e os operadores que perceberam a mudança profissionalizaram-se à séria, investindo em certificação e sistemas de gestão. Até as grandes marcas e importadores, que antes olhavam para o usado como um mal necessário, criaram as suas próprias plataformas certificadas.

Mas o ponto mais interessante do artigo é o choque com a realidade da transição energética. Bruxelas quer tudo elétrico até 2035, mas o consumidor português esbarra nos preços altos, na falta de postos de carregamento e no medo da desvalorização das baterias. O resultado? Quem comprava carros novos foge para os usados. É por isso que a importação de carros usados a gasóleo e gasolina continua a crescer. O mercado de usados passou a ter uma função social indispensável: é ele que garante que as pessoas continuam a ter carro quando o mercado de novos se tornou proibitivo.